há 6 dias
Edilson Kernicki

Em entrevista à Rádio Cidade em Dia, do município de Criciúma (SC), o prefeito de Chapecó (SC), João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao Governo do Estado de Santa Catarina, teceu duras críticas ao tom adotado por Jorginho Mello (PL) nos frequentes embates contra representantes do Governo Federal.
"Parece um debate de boteco, onde um bando de bêbado começa a discutir e botar o dedo na cara do outro. Acho decepcionante, é decadente", criticou.
Na análise de Rodrigues, a discussão pública se afastou do debate institucional em detrimento do que classifica como ataques pessoais. O prefeito de Chapecó sugere que o governador deveria manter agenda institucional, quando vários ministros visitam o Estado, apesar das divergências políticas, para cobrar soluções e defender pautas estratégicas, a exemplo da BR-101, o Morro dos Cavalos e o Porto de Itajaí. Se, por um lado, a obrigação de corresponder às demandas de infraestrutura federal compete à União, segundo Rodrigues, por outro, cabe ao governador cobrá-las do governo federal.
A ausência do governo nessas ocasiões, para o pré-candidato, enfraquece a liderança política de Santa Catarina. "Ele não está cumprindo esse papel: ficou quatro anos somente no palanque, discutindo processo político e eleitoral", frisa.
Para ele, a missão do governo, quando ocorre a visita de um ministro de Estado, é suspender a própria agenda para atendê-lo. "Você está como CNPJ [em oposição a representar a pessoa física] e fala em nome do estado, não do partido. Você recepciona o ministro, vai lá e acompanha para ver o que ele está anunciando, cobra providências dos problemas e das pendências. O governador não é a primeira vez que ele faz isso: ele nunca recebeu nenhum ministro, nem o presidente da República, quando eles vêm a Santa Catarina, porque ele prioriza apenas o posicionamento político. Ele não prioriza discutir os problemas do estado", argumenta.
O pessedista também considera desnecessários os ataques mútuos entre autoridades e salientou que o debate quanto aos problemas do Estado migraram para as redes sociais, de modo a perder o foco na resolução concreta de demandas da população.
"Temos que debater a política. Eu, particularmente, vou trabalhar muito para que possamos ganhar a eleição para presidente da República com o Ratinho Junior, que é meu candidato a presidente da República. Vou discutir isso até o dia da eleição. Terminou, abriu a urna, quem é o presidente do Brasil? É Ratinho? Vou no dia seguinte falar com ele para discutir as questões federais no estado. Se o presidente da República for o Flávio Bolsonaro, farei o mesmo. E se, por ventura, for o atual presidente [Lula], farei o mesmo. Tenho que discutir problemas do estado. Lamento que os debates dos problemas do estado foram para uma rede social. Achei desnecessários os ataques mútuos", analisa.
"Enquanto você governa, você governa para todos. Quando o problema está aí, o problema é para todos. Quem lidera o estado tem que buscar solução", conclui.