há 6 horas
Amanda Martins

A investigação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre a tentativa de aliciamento de jogadores para manipular partidas do Campeonato Brasileiro inclui mensagens trocadas entre o boxeador Acelino Freitas, o Popó, e seu filho, o empresário Igor Freitas, um dos denunciados no caso. As conversas constam na denúncia apresentada à Justiça no âmbito da Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025.
Igor Freitas é acusado, junto com Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro, de tentar aliciar jogadores para receber cartões amarelos de forma proposital em partidas das Séries B e C do Campeonato Brasileiro. Segundo informações do Ge, a apuração teve início após jogadores do Londrina denunciarem uma suposta oferta de R$ 15 mil para que tomassem cartão amarelo em um jogo da Série C contra o Maringá. A denúncia aponta que o grupo também procurou o lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol.
De acordo com o MP-PR, há registros de conversas entre Popó e Igor Freitas anteriores à deflagração da operação. Em 29 de abril de 2025, após uma ligação telefônica, Popó enviou ao filho a mensagem “Quem vc está se tornando”. Segundo a denúncia, Igor respondeu por meio de dois áudios, em tom defensivo, o que, para o Ministério Público, indica relação com o aliciamento de jogadores e reforça os elementos da investigação.
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Na sequência, Popó teria enviado outro áudio ao filho, afirmando: “Igor, você, você foi indireto aí meu velho. Você indicou, o cara foi lá e fechou com outro, mas quem indicou foi você”. A denúncia também cita uma segunda conversa, ocorrida em 18 de maio de 2025, quando Popó iniciou o diálogo mencionando que “antes falava da forçação de cartão”. Igor Freitas, por sua vez, negou envolvimento e afirmou estar “totalmente despreocupado quanto a isso”. Ainda segundo o MP-PR, Popó continuou alertando o filho, pedindo que ele “abrisse os olhos”, enquanto Igor manteve uma postura defensiva.
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As investigações apontam que Igor Freitas entrou em contato com jogadores por meio do Instagram e do WhatsApp, apresentando-se como filho de Popó e como empresário com acesso a grandes empresas e projetos de patrocínio. Em seguida, ele repassava os contatos dos atletas a Rodrigo Rossi, que daria continuidade às tratativas. A denúncia relata que Rossi se apresentava como alguém com ligação com casas de apostas legalizadas no Brasil.
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Um dos episódios citados envolve o lateral Reinaldo, do Mirassol, abordado em agosto de 2025 por Rodrigo Rossi, que enviou um áudio e uma mensagem de visualização única pelo WhatsApp. O jogador recusou a proposta e respondeu que não participaria da prática. Há ainda indícios de tentativas de aliciamento de atletas de outros clubes das Séries B e C, incluindo diálogos em que Raphael Ribeiro orienta sobre a abordagem a jogadores de equipes como Goiás e Sport.
Os três denunciados respondem por associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo, crimes previstos no Código Penal e na Lei Geral do Esporte. As penas podem variar de dois a seis anos de reclusão, além de multa. O MP-PR também pediu à Justiça o pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo, como forma de reparação ao prejuízo causado à integridade e à incerteza do resultado esportivo.
Em nota, a defesa de Igor Freitas negou as acusações, classificando-as como levianas e sem lastro probatório consistente. Os advogados afirmaram confiar no esclarecimento dos fatos durante o processo e na demonstração da inocência do acusado. As defesas de Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro não se manifestaram até o momento.
NOTA À IMPRENSA
A defesa do senhor Igor Gutierrez Freitas vem a público manifestar-se a respeito das denúncias recentemente divulgadas no âmbito da denominada “Operação Derby”.
Desde já, a defesa rechaça de forma veemente as acusações apresentadas, por entendê-las levianas e desprovidas de lastro fático e probatório consistente. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de maneira precipitada, sem a devida cautela e sem a necessária sustentação em fatos concretos que justifiquem a imputação formulada contra o senhor Igor.
Ressalta-se que as alegações constantes na denúncia serão oportunamente esclarecidas no curso regular do processo, momento em que se demonstrará a inocência do investigado. A defesa confia que a análise técnica e imparcial dos elementos constantes dos autos evidenciará as fragilidades do procedimento, o qual, desde já, se entende marcado por vícios que comprometem sua regularidade e legitimidade.
Reafirma-se, ainda, o compromisso do senhor Igor Gutierrez Freitas com o pleno esclarecimento dos fatos e com o respeito às instituições, bem como a confiança no devido processo legal e no Poder Judiciário para o restabelecimento da verdade.
Por fim, a defesa informa que estará à disposição da imprensa e das autoridades competentes para prestar esclarecimentos adicionais amanhã, dia 06 de fevereiro de 2026, em horário e local a serem oportunamente divulgados.
Igor José Ogar